2004-09-23

Haiti

Estado independente que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola ou de S. Domingos, no mar das Caraíbas. Tem uma superfície de 27.750 Km2, cerca de 7 milhões de habitantes.
É banhado a norte pelo oceano Atlântico, a leste confina com a República Dominicana, a sul com o mar das Antilhas e a oeste com o Canal do Vento. A capital é Port-au Prince. As línguas oficiais são o francês e o crioulo. O catolicismo é a religião professada pela maioria dos habitantes. A unidade monetária é o gourde (HTG).
Geografia Física
O seu relevo faz parte do conjunto de cadeias montanhosas orientadas de Oeste para Este, separadas por depressões, que formam a grande ilha; a cadeia central, de rochas cristalinas, está cercada de maciços sedimentares que culminam na montanha de Selle (2680 metros), já em território do Haiti. O clima é do tipo tropical, com temperaturas que variam entre 20º e 34º C e chuvas mais concentradas nos meses de Abril a Junho e em Outubro e Novembro.
Nas regiões montanhosas, as florestas, ainda mal exploradas, são ricas em mogno e jacarandá; também existem o pinho e o cedro. Nas partes mais áridas predominam as espécies xerofíticas. As savanas caracterizam a flora do país.
Geografia Humana e Económica
Os habitantes do Haiti descendem, na sua grande maioria, dos escravos africanos. Cerca de 95% da população é negra; os restantes são, na sua maior parte, mulatos. O Haiti é um dos países mais pobres do mundo, e a sua situação económica, baseada essencialmente na agricultura (que representa 35% do PNB e emprega 66% da população activa), não dá sinais de evolução. A principal fonte de divisas estrangeiras está na exportação de café, seguindo-se o açúcar, o sisal, o algodão e as bananas. O principal parceiro comercial são os EUA.
A indústria, que apenas representa 22% do PNB e ocupa 10% da mão-de-obra, está em crise. A exploração de bauxite foi encerrada; o manganésio, o ferro ou o mármore, que constituem fontes de rendimento continuam por explorar. O turismo diminuiu em função dos problemas económicos e sociais do país.
História
Cristóvão Colombo, ao serviço de Espanha, descobriu o Haiti em 1492 e tomou posse dela, chamando-lhe ilha «Hispaniola».
Pelo tratado de Ryswik (1697), a Espanha cedia à França parte da ilha, a que os Franceses chamaram colónia de São Domingos.
Em 1776, foram fixados pela Espanha e França os limites dos seus respectivos territórios. As revoltas dos escravos obrigaram a França a abolir a escravatura em 1794.
Em 1801, Toussaint L’Ouverture, antigo escravo que tinha chegado a general francês e era governador da colónia, reuniu uma assembleia de dez membros que redigiu uma constituição e foi eleito governador vitalício. Em 1804 é proclamada a independência por Dessalines, do novo Estado, a que denominavam de Haiti (Terra Montanhosa). A Assembleia elegeu então Henri Christophe, que governou como imperador até 1820. No Sul, à morte de Dessalines, foi eleito Alexandre Pétion em 1807. Desde essa data, o território esteve dividido em dois e com dois presidentes. Pétion, no Sul, foi progressivo e favoreceu as obras públicas; Christophe, no Norte, foi despótico e o seu governo terminou em 1820 com uma insurreição geral e o suicídio do ditador.
Assumiu a presidência de todo o país Jean Pierre Boyer, que, desde 1818, governava o Sul.
Durante a segunda metade do século XIX, o Haiti esteve agitado por inflamadas lutas políticas, que exaltaram e derrubaram numerosos governos sucessivamente.
Em 1915 foi assassinado o ditador Guillaume Sam, o que motivou, nos meados desse ano, a ocupação militar dos EUA, que, não obstante, declararam reconhecer, mediante um tratado, a independência do Estado Haitiano. Esta situação prolongou-se até 1934, data em que Franklim Roosevelt e Stevio Vicent acordaram na retirada das tropas norte-americanas.
O médico François Duvalier (conhecido por Papa Doc), ascendeu à presidência em 1957 e tornou-se presidente vitalício em 1964, apoiado por uma milícia popular (os tonton macoutes) que perseguiu os adversários do regime, os tíbios e apenas suspeitos, fazendo gorar todas as tentativas para levar o país para a via democrática: prisões arbitrárias, extorsões, violências de toda a ordem, execuções sumárias e extermínio de famílias inteiras. Os EUA prestaram auxílio económico a Duvalier. Antes de morrer (1971), designou para lhe suceder o seu filho Jean-Claude Duvalier (Baby Doc), que se tornou, aos 19 anos de idade, presidente vitalício da República do Haiti, continuando a política despótica de seu pai.
Em 1985, 50.000 adolescentes efectuam uma marcha pela paz e os EUA decidem suspender a sua ajuda económica ao país.
É criado oficialmente o Partido Nacional Progressista, primeiro e único partido autorizado. A Igreja Católica afasta-se do poder.
Em 1986, com a escalada da violência é decretado o estado de sítio e Duvalier pede asilo a França.
Em 1987, uma nova Constituição é aprovada e, em 1988, Leslie Manigat é eleito presidente do Haiti. Em 19902, regressa o estado de emergência.
Demite-se o então presidente, Prosper Avril, assumindo provisoriamente a chefia do Estado uma mulher, Hertha Pascale Throuillot.
É eleito Jean-Bertrand Aristide, mas num clima de grande instabilidade e violência. A destituição de Aristide pela força não tardou. Desta vez o golpe foi encabeçado pelo general Raoul Cédras, que colocou Joseph Nérette provisoriamente na cadeira presidencial.
A situação degradou-se e a ONU promove um embargo petrolífero e militar ao Haiti em 1993.
Em 1994, a Onu autoriza os EUA a intervir militarmente no Haiti. Em 1995, as tropas das Nações Unidas rendem as norte-americanas, e em 1996, René Preval é eleito para a presidência com 72% de abstenções.
Uma pequena missão da ONU manteve-se no Haiti, com funções policiais. Porém, a política de Preval, ao mesmo tempo que suscita esperança, tem provocado desconfianças e resistências.
Em 2000 partem os últimos soldados americanos e a ONU envia uma missão civil de 100 de ajuda ao Haiti.
Aristide é eleito presidente, também com uma forte abstenção. Entre golpes de Estado e conseqüente instabilidade económica e social, o Haiti vai vivendo tempos difíceis.
Em 2004, após um período de muita tensão, o Palácio Nacional é ocupado pelo novo Presidente Alexandre Boniface.
Gérard Latortue assume o leme do governo como primeiro-ministro.
Na última semana, o Haiti é arrasado pelo tufão Jean que mata mais de 1000 pessoas, e coloca a zona como uma das mais pobres actualmente no Mundo.

Educação

Polidez; cortesia; instrução; disciplinamento.
Pedagogia
Educar significa, etimologicamente, «elevar», «tornar maior» e aplica-se ao desenvolvimento das faculdades do homem, intelectuais e físicas.
Há educação quando alguém mais experiente ajuda um indivíduo mais novo a descobrir os seus próprios limites e a superá-los. É assim que agem os pais em relação aos filhos, os professores em relação aos alunos, os companheiros de ofício para com os aprendizes, os «veteranos» em relação aos «novatos».
A educação não consiste em transmitir ao aluno o saber acumulado pelo mestre (esse é um dos aspectos do ensino); deve antes levar o novato a ser capaz de encontrar por si próprio o alimento que mais lhe convenha. Deve assim desenvolver em primeiro lugar a suas faculdades, levá-lo a descobrir as que exerce com mais desenvoltura e lhe dão maior prazer. Então o discípulo toma conhecimento dos seus limites e deseja ultrapassá-los; descobre novos horizontes, interroga-se sobre eles, aprende a traduzir a sua curiosidade em interrogações precisas e razoáveis, a não se contentar com respostas aproximativas e a encadear novas interrogações até obter uma resposta satisfatória para si e, se possível, para os outros.
Educação e Ensino.
Educação e ensino não são, portanto, a mesma coisa.
Em primeiro lugar, porque o ensino é ministrado a uma pluralidade de indivíduos formando grupos muitas vezes não homogêneos pelos gostos e o grau de desenvolvimento das faculdades: enquanto um aluno acompanha penosamente um curso, outro marca passo com impaciência. Depois, porque provas e exames tende, de maneira quase inevitável, a impor aos candidatos um molde idêntico: é preciso conhecer um programa e aceitar as «regras de jogo» que podem não convir a certos espíritos brilhantes e independentes.
Finalmente, porque o ensino tem necessariamente os seus limites: só um espírito bem formado, bem educado, pode construir sobre os alicerces lançados e ir mais longe.
O objectivo de um ensino ideal não é atulhar a memória, mas formar espíritos independentes e ágeis; objectivo que se atinge apenas com os melhores alunos – uma minoria.

2004-09-02

Aborto

Acto ou efeito de abortar; parto prematuro; produto desse parto; produção imperfeita; anomalia; coisa monstruosa; malogro; (fig.) pessoa muito feia ou defeituosa (física ou moralmente); em botânica, designa o órgão que não se desenvolveu ou a paragem prematura no desenvolvimento do mesmo.
Medicina
Expulsão do feto humano antes da possibilidade de sobreviver fora do seio materno, ou seja, normalmente antes da 28ª semana de gravidez. Pode ser espontâneo ou provocado.
O aborto espontâneo acontece em 10% das grávidas, geralmente antes do 4º mês, podendo até passar despercebido.
O aborto provocado pode ser directamente intentado por meios que têm apenas essa finalidade, ou pode ser realizado quando a continuação da gravidez ponha em perigo a vida da mãe (aborto terapêutico).
A discussão acerca da legitimidade e dos limites do aborto interessa hoje à biologia, à ética, ao direito e à política. O aborto é considerado criminoso pelas ordenações jurídicas que o consideram um atentado contra o direito – natural – à vida, com as consequências penais daí decorrentes.
A Igreja Católica condena-o como pecado grave, fundamento de excomunhão, admitindo-o apenas em casos terapêuticos.
A legislação portuguesa, pelos artigos 140º a 142º do Código Penal admite-o sendo efectuado por médico em instalação de saúde oficial ou oficialmente reconhecida, com o consentimento da mulher grávida, e se for realizada nas primeiras doze semanas de gravidez.

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